Quanto rende a poupança (e como investir melhor)

A melhor pergunta não é quanto rende a poupança, e sim se ela rende alguma coisa.

Na prática, hoje, quem deixa dinheiro na poupança perde poder de compra. Ou seja, o valor que você deixa aplicado não diminui, mas, corroído aos poucos pela inflação, ele se traduz em menor consumo no futuro. 

Então, para resumir a história: existe investimento pior do que a poupança, mas é difícil de achar. Um deles seria deixar o dinheiro embaixo do colchão.

Quanto rende o dinheiro embaixo do colchão? Pouco menos do que a poupança.

Mas calma: existem alternativas mais interessantes para os seus investimentos. Nas próximas linhas, vamos descobrir exatamente quanto rende a poupança, quais são as melhores opções para o curto prazo e como começar a organizar suas finanças e aplicações.

Qual é o rendimento da poupança 

O rendimento da poupança é um dos menores entre todas as aplicações financeiras. Ele é igual para as cadernetas de todos os bancos e pode seguir duas regras, dependendo do período da aplicação.

Atualmente, para depósitos realizados depois de maio de 2012, a poupança rende 70% da Selic, desde que a taxa esteja abaixo de 8,5% ao ano. Quando a Selic ultrapassa os 8,5%, a regra é de que a poupança rende 0,5% ao mês + a Taxa Referencial (que está zerada desde 2017).

Já para depósitos feitos antes de 4 de maio de 2012, a regra é a mesma usada para períodos de Selic em alta. Logo, a poupança rende 0,5% ao mês + a Taxa Referencial. 

Como você pode ver, o rendimento da poupança está sempre atrelado à Selic, que mede a taxa básica de juros da economia brasileira. A taxa é atualizada a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central. 

Além da rentabilidade da poupança, vale ficar atento à remuneração: os juros da poupança incidem sobre o capital apenas uma vez por mês.

Quanto rende a poupança em 2020 

Para saber quanto rende a poupança em 2020, é importante ter em mente a taxa Selic. Atualmente, em 31 de julho de 2020, ela está no seu menor patamar histórico: 2,25% ao ano

Por isso, quando a Selic cai, os rendimentos diminuem de forma proporcional. Nesse caso, vale a regra do rendimento de 70% da Selic. Logo, em 2020, a poupança rende 1,575% ao ano (equivalente a 0,13% ao mês).

Para entender melhor a lógica, descubra quanto rende a poupança em 2020 a partir de alguns exemplos:

Quanto rende 10 mil na poupança em 2020

Imagine que você investiu R$ 10 mil reais na poupança em janeiro de 2020 e que mantenha o capital aplicado até o fim de dezembro. Considerando a regra de rendimento, no fim do ano, você teria um lucro de R$ 157,50.

Quanto rende 100 mil na poupança em 2020

No mesmo cenário, mas com aplicação de R$ 100 mil, a poupança renderia R$ 1.575,00 até o fim de 2020.

Quanto rende 1 milhão na poupança em 2020

Uma aplicação de R$ 1 milhão, por sua vez, renderia R$ 15.750,00 durante o ano todo de 2020.

Qual é o rendimento real da poupança? 

O cálculo de quanto rende a poupança é aquele ali de cima, mas o retorno real deve considerar a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o índice oficial da inflação no país. 

Quanto maior é a inflação, menor é o poder de compra do consumidor. Então, considerando que a poupança gera rendimentos baixíssimos, o aumento da inflação pode, na verdade, comprometer toda a aplicação e fazer você “perder” dinheiro.

De acordo com o boletim Focus divulgado em 27 de julho de 2020, a previsão para o IPCA em 2020 é de 1,67%. Para 2021, a perspectiva aumenta para 3%. Já a meta de inflação definida pelo Banco Central é de 4% para 2020.

A perspectiva para a meta da taxa Selic, por sua vez, se mantém em 2% ao ano para 2020 e 3% ao ano para 2021.

Investimentos que podem render mais do que a poupança em 2020

A seguir, descubra os principais investimentos seguros que rendem mais do que a poupança para você aplicar melhor o seu dinheiro em 2020:

Fundos de Tesouro Selic

Uma alternativa para quem quer sair da poupança são os fundos de renda fixa Tesouro Selic. São fundos em que o investidor tem acesso a diversos títulos públicos com rentabilidade atrelada à taxa Selic. O investimento é atrativo também porque há opções com isenção de taxa de administração.

Além da liquidez diária, os fundos de Tesouro Selic apresentam rendimentos positivos seguindo a Selic desde o primeiro dia de aplicação, e não em uma janela temporal de 30 dias, como ocorre na poupança.

Com esse tipo de aplicação, a rentabilidade se aproxima da Selic, mas é preciso considerar o Imposto de Renda. O Ir é cobrado de acordo com uma tabela regressiva, de 22,5% para resgates em período inferior a 180 dias até 15% para resgates após 720 dias.

Tesouro Selic

Outra opção são os títulos públicos do Tesouro Selic. Trata-se de uma modalidade também indicada para quem não sabe quando vai resgatar o dinheiro ou tem objetivos de curto prazo, devido à alta liquidez do papéis. 

A rentabilidade é pós-fixada e acompanha a Selic. Nesse caso, para valores até R$ 10.000,00, não há taxa de custódia.

Caso você aplique mais de R$ 10.000,00 e queira resgatar no curto prazo (pagando IR mais alto), vale a pena considerar o investimento em fundos de Tesouro Selic, já que muitos não cobram taxas.

CDBs com liquidez diária

O Certificado de Depósito Bancário é um título privado emitido por bancos. Nesse caso, a dica é investir em CDBs com liquidez diária, o que quer dizer que a aplicação pode ser convertida em dinheiro no mesmo dia da solicitação de resgate. 

A rentabilidade pode ser prefixada (definida no momento da aplicação), pós-fixada (percentual sobre um índice) ou híbrida (taxa de juros prefixada mais a variação de um índice).

Para superar o rendimento da poupança e se tornar uma opção viável em qualquer prazo de resgate, o CDB deve pagar mais de 90% do CDI.

LCIs/LCAs

Há ainda a opção de investir em LCIs e LCAs para sair da poupança. Esses títulos também possuem renda fixa e são emitidos por instituições financeiras privadas. As siglas se referem a:

  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI)
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).

Destinados a financiar setores estratégicos da economia, elas têm rentabilidade que varia conforme o título e suas características. Assim como nos CDBs, os rendimentos podem seguir os modelos prefixado, pós-fixado e híbrido.

A vantagem dessas aplicações é que elas têm isenção de Imposto de Renda para pessoa física. O problema: não há títulos tão curtos, com possibilidade de resgate imediato.

Mas é possível investir em títulos mais longos e depois de um período como três meses, por exemplo, contar com liquidez diária.

Gostou das dicas e entendeu bem quanto rende a poupança e como superá-la? Na prática, as opções que vimos acima são apenas as pedras fundamentais da reserva de emergência e devem servir de base para você alçar voos maiores com foco no longo prazo.

Para isso, confira também nossos posts sobre fundos de ações e fundos multimercados.

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