O que são fundos exclusivos e quando vale a pena ter o seu

Gustavo Heldt

Você sabe o que são fundos exclusivos e por que eles são boas opções para grandes patrimônios?

Imagine ter um fundo de investimento só seu, com um gestor dedicado a gerir seu dinheiro de acordo com seus objetivos, perfil de risco e expectativas de rentabilidade.

Ficou curioso para entender como funcionam e o que são fundos exclusivos?

Então, siga a leitura.

O que são fundos exclusivos

É fácil entender o que são fundos exclusivos — aqueles fundos de investimentos estruturados para atender um único investidor qualificado com patrimônio elevado. 

Eles funcionam da mesma forma que os fundos de investimento comuns, com o diferencial do alto grau de personalização e acesso limitado a públicos de alto poder aquisitivo.

De modo geral, os fundos exclusivos são indicados ao segmento Ultra High Net Worth (UHNW), composto por pessoas com patrimônio total acima de R$ 10 milhões.

Existem também os fundos restritos, que admitem até 20 cotistas (geralmente, da mesma família). 

O objetivo desses produtos financeiros é oferecer uma opção exclusiva de investimento aos milionários, que atenda ao perfil de risco e objetivos de rentabilidade individuais de cada investidor. 

Embora seja assessorados por um gestor profissional, os fundos exclusivos contam com a participação ativa do cliente na tomada de decisão e administração da carteira.

De acordo com o Boletim de fundos da Anbima de outubro de 2020, o patrimônio líquido total dos fundos exclusivos (segmento private) soma mais de R$ 858 bilhões no país. 

Fundos exclusivos x investimento como pessoa física

Você deve estar se perguntando qual a vantagem em criar um fundo exclusivo, se é possível investir como pessoa física aplicando diretamente nos ativos finais. 

A principal diferença é que, ao constituir um fundo só seu, você cria um CNPJ próprio e consegue operar com total desenvoltura no mercado financeiro, ganhando acesso a diversos benefícios.

Com o fundo exclusivo, você se torna um investidor profissional e eleva a personalização da carteira a um nível superior, além de ter acesso a produtos financeiros mais restritos. 

Fundos exclusivos x carteiras administradas

Os fundos exclusivos também não devem ser confundidos com as carteiras administradas, que são outro tipo de solução financeira oferecida a investidores qualificados.

Nesse caso, um gestor profissional é contratado para gerenciar o portfólio do investidor e ambos criam juntos uma política de investimentos no CPF do investidor.

A partir das diretrizes do cliente, o gestor passa a alocar ativos de acordo com o perfil de risco e expectativas de rentabilidade do investidor.

O profissional tem autonomia para tomar decisões, mas é importante que exista uma relação de confiança entre cliente e gestor.

A principal vantagem desse serviço é a gestão profissional, ao mesmo tempo em que o cliente continua tendo isenção de IR em produtos que oferecem esse benefício à pessoa física. 

Já no caso dos fundos exclusivos, o investidor passa a investir como pessoa jurídica. 

Como funcionam os fundos exclusivos

Os fundos exclusivos são compostos por vários prestadores de serviços financeiros, além do próprio investidor.

Para começar, é preciso ter uma gestora de recursos responsável pelas decisões de investimento e alocação dos recursos aplicados.

Essas empresas atuam de forma independente e, geralmente, possuem uma área exclusiva de wealth management (gestão de riquezas) dedicada aos clientes qualificados.

Também é necessário ter a figura do administrador, que representa o fundo perante autoridades financeiras como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central. 

Sua função é determinar e validar o valor das cotas do fundo, enquanto os ativos investidos são guardados em segurança pelo custodiante. 

Por fim, é preciso contratar um auditor independente para avaliar as operações do fundo, o valor de suas cotas, taxas envolvidas, entre outros aspectos.

Depois de contratar todos esses prestadores, o titular do fundo deverá registrá-lo na CVM e a Anbima. 

Quem pode investir em fundos exclusivos

Os fundos exclusivos são indicados para investidores com patrimônio acima de R$ 5 milhões

A estratégia se torna vantajosa quando o investidor possui esse montante disponível e verifica que pode ter ganhos superiores ao de outras aplicações se estruturar seu próprio fundo. 

Geralmente, as instituições financeiras especializadas em fundos exclusivos fazem simulações de longo prazo para entender qual seria o retorno da carteira, considerando já os impostos e custos. 

Assim, o investidor tem uma base mais confiável para tomar a decisão e optar ou não pela abertura do fundo.

Fundos exclusivos abertos x fechados

Além de saber o que são fundos exclusivos, também é importante entender a diferença entre os formatos aberto e fechado.

No fundo aberto, os aportes e resgates podem ser feitos livremente, enquanto o fundo fechado possui prazos de vencimento e permite apenas resgates pré-programados. 

De modo geral, os fundos exclusivos abertos possuem maior liquidez, enquanto os fundos exclusivos fechados oferecem mais benefícios fiscais.

Ao optar pelo formato aberto, o investir perde parte da rentabilidade com a incidência do come-cotas (recolhimento semestral antecipado do IR), a não ser que o fundo seja da categoria de ações.

Já o fundo fechado é isento do come-cotas, mas permite aportes apenas duas vezes ao ano e amortizações de 12 em 12 meses, e o resgate total só pode ser realizado no encerramento do fundo.

Vantagens dos fundos exclusivos

Os fundos exclusivos proporcionam muitas vantagens aos seus titulares que justificam a opção dos milionários por esses produtos. 

Confira alguns diferenciais.

Tratamento tributário diferenciado

Uma das principais vantagens dos fundos exclusivos é a isenção do Imposto de Renda nas movimentações internas.

Isso quer dizer que os recursos podem ser migrados de um ativo para outro dentro do fundo sem que sejam cobrados impostos ou custos adicionais.

Nos modelos fechados, também não há incidência do come-cotas, como vimos anteriormente, aliviando ainda mais a tributação e aumentando a rentabilidade.

Como o IR só é descontado na amortização anual e liquidação, o valor que seria gasto em impostos permanece investido até o vencimento do fundo, contribuindo com o aumento dos rendimentos em longo prazo.

Gestão personalizada e qualificada

Outro diferencial dos fundos exclusivos é a gestão qualificada e 100% personalizada, pensada sob medida para os objetivos e perfil do investidor.

Com um fundo próprio, você tem total liberdade e autonomia para tomar decisões e determinar estratégias conforme seus interesses, tendo sempre o apoio de profissionais experientes do mercado financeiro para cada ação. 

Além disso, há muito mais proximidade com o gestor, que trabalha como um analista particular e presta contas em relatórios detalhados para o titular. 

Estrutura operacional simplificada

A estrutura operacional dos fundos exclusivos é mais simples, pois tem um único valor de cota e facilita o acompanhamento da rentabilidade. 

O investidor ainda tem a opção de migrar seu fundo entre instituições financeiras ou trocar de administrador sem que seja preciso resgatar ou transferir valores investidos, trazendo ainda mais flexibilidade ao investimento.

Otimização do planejamento sucessório

Muitos milionários procuram os fundos exclusivos para facilitar seu planejamento sucessório.

Para transmitir uma herança, basta doar cotas do fundo para os herdeiros ainda em vida, evitando o processo custoso e burocrático do inventário.

Nesse caso, é preciso pagar o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação (ITCMD) no momento da doação das cotas. 

Desvantagens dos fundos exclusivos

Apesar de representarem uma oportunidade para os investidores qualificados, os fundos exclusivos também têm suas desvantagens.

Veja as principais para levar em conta.

Perda da isenção em certos investimentos

Como o fundo de investimento é considerado uma pessoa jurídica, a isenção de IR de produtos como LCIs, LCAs e debêntures incentivadas é anulada.

Isso ocorre porque o benefício fiscal desses investimentos é válido apenas para pessoas físicas.

Custo do serviço

Os custos para abrir um fundo exclusivo não são baixos, pois envolvem contratação de gestores, auditores e custodiantes, além do pagamento de taxas à CVM e à Anbima. 

Para decidir se vale a pena, o investidor deve calcular se os rendimentos em longo prazo compensam esses gastos iniciais e os custos de manutenção.

A partir de R$ 5 milhões, o fundo exclusivo pode fazer muito sentido.

Vale a pena investir em fundos exclusivos?

Agora que você sabe o que são fundos exclusivos, fica mais fácil decidir se vale a pena estruturar um fundo próprio.

Como vimos, existem vantagens e desvantagens, e tudo depende da qualidade da gestão, estratégia adotada e objetivos do investidor.

De modo geral, você encontra nos fundos exclusivos uma solução customizada e de alta performance para gerenciar sua riqueza.

Com o apoio de um bom assessor de investimentos, é possível estruturar um fundo exclusivo ideal para seus objetivos de curto, médio e longo prazo, com a sofisticação e profundidade que só o segmento private pode oferecer.

Ficou claro o que são fundos exclusivos e como abrir o seu?

Continue acompanhando os conteúdos do blog para comparar essa opção com outros produtos do mercado.

Confira alguns fundos sobre os quais já falamos:

Real Investor FIA

Trópico Value FIA

Tarpon GT FIC FIA

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on linkedin
Gustavo Heldt

Gustavo Heldt

Gustavo Heldt é jornalista, especialista em investimentos, assessor e entusiasta de bons fundos e gestores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Envie suas dúvidas :)