Melhores fundos de ações para investir em 2021: como escolher

Gustavo Heldt

Os melhores fundos de ações para investir em 2021. Ou para 2022.

Essa é uma busca muito popular entre os investidores, sabia?

Mas essa pesquisa pode ser muito enganosa.

Muitas vezes, os fundos de ações que mais renderam nos últimos 12 meses não são os que mais vão render no longo prazo.

E aqui vale o aviso: ao investir e buscar os melhores fundos de ações, considere janelas temporais mais longas.

Por quê?

É o que você vai descobrir nas próximas linhas.

(Observação: prometo dar alguns nomes de bons fundos de ações para investir lá no final, mas você vai entender, ao longo do texto, que não deve seguir esse tipo de atalho.)

Como encontrar os melhores fundos de ações para investir

Sim, você queria um ranking com os melhores fundos de ações para investir.

Eu sei.

Mas prometo frustrar sua expectativa com uma oferta muito mais interessante: vou dar dicas para você mesmo encontrar os melhores fundos de ações.

Eles não são aqueles que mais renderam no último mês ou ano, e sim aqueles que mais fazem sentido para o seu portfólio.

Este ano de 2021, inclusive, não tem sido muito bom para os fundos de ações, sabia?

Em relatório de outubro, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) revela que a classe sofreu resgate líquido de R$ 3 bilhões em setembro e R$ 7,8 bilhões de janeiro até o fim de setembro.

Mas você não está de olho no curto prazo, não é?

Então siga estas dicas:

Acompanhe alguma casa de análise

As casas de research têm times que fazem a seleção de bons fundos de investimento para seus clientes. 

Nesses relatórios, que normalmente são cobrados, você vai encontrar fundos de todos os tipos, inclusive de ações, para investir com maior tranquilidade.

Com esse tipo de filtro, você pode dar os próximos passos e fazer o dever de casa estudando a asset e o gestor.

Dois dos relatórios e recomendações que mais gosto são os da Spiti, a cargo da Luciana Seabra, e o da Nord, a cargo do Luiz Felippo.

O que eles fazem?

Com o menor conflito de interesse possível, eles tentam encontrar os melhores fundos de investimento (não apenas de ações) para os seus clientes.

Nessa busca, eles analisam estratégias, leem relatórios e cartas, conversam diretamente com os gestores, fazem comparações entre eles, traçam correlações entre fundos e indicam aqueles que julgam as melhores alternativas dentro de cada classe de ativos.

São infalíveis e o caminho definitivo das pedras?

Não! O universo dos fundos é gigantesco e complexo, e julgo que o trabalho dessas casas é essencial, mas não definitivo.

Você deve tentar, ao máximo, buscar informações por conta própria e fazer o dever de casa investigando a gestão do fundo, assistindo a entrevistas e lendo o que o research de insumos para tomar a melhor decisão possível.

Conte com um bom assessor de investimentos

O assessor de investimentos é o profissional associado a um escritório de investimentos e vinculado a um banco para filtrar e oferecer os produtos e serviços que mais fazem sentido para os seus clientes.

Cuidado: nem sempre os assessores têm grande conhecimento sobre os fundos que estão oferecendo.

Por isso, vale a pena conversar demoradamente com o seu, para garantir que ele entenda a estratégia utilizada, conheça os gestores e apresente motivos para aquele nome aparecer no seu portfólio.

De qualquer maneira, o assessor tem totais condições de buscar mais informações sobre o fundo escolhido e obter acesso rápido às principais características do produto.

Dessa forma, fica mais fácil encontrar os melhores fundos de ações para investir.

Nessa jornada, vale salientar: não precisa contar apenas com a casa de análise ou com o assessor.

Combine o conhecimento de ambos, extraia o melhor de cada um e filtre aquilo que mais faz sentido para o seu perfil.

Embora a relação com o assessor possa conter conflito de interesse (já que os assessores recebem rebates da taxa de administração dos fundos), ela pode ser extremamente benéfica para o investidor, desde que você esteja contando com um bom profissional.

Um assessor de alta qualidade tem um relacionamento mais próximo com você, pode auxiliar na sua tomada de decisão de maneira mais personalizada e sabe aquelas estratégias que combinam mais com o seu racional.

Entenda a estratégia

Depois de selecionar alguns nomes em uma casa de research e conversar com seu assessor de investimentos, você pode dar início à sua própria investigação.

Este é o momento de compreender em detalhes qual é a estratégia do fundo de ações no qual você pretende investir.

Trata-se de um long biased ou long only? 

Ele investe apenas no Brasil?

Ele adota instrumentos de proteção?

Ele faz value investing?

Ele usa análise fatorial?

Ele analisa o cenário macro antes de ir para o micro (top-down) ou o micro antes do macro (bottom-up)?

Ou seja, o que exatamente faz esse fundo e o que o torna especial na comparação com os seus pares?

Nesse quesito, por favor, não analise apenas o retorno dos últimos 12 meses.

Conheça a gestão

Agora você tem alguns nomes na manga e já sabe qual é o tipo de fundo de ações no qual está pensando em investir.

É o momento de ir mais a fundo e descobrir quem está por trás da gestão.

Há quanto tempo o gestor de ações está na casa, há quanto tempo existe a asset e o fundo e qual é o histórico daquela estratégia?

De onde vieram os outros sócios?

Os gestores investem nos fundos da casa?

O que ele pensa sobre as ações e como ele encara os investimentos?

Como ele reage em momentos de pânico no mercado?

Para descobrir esse tipo de coisa, você pode começar sua pesquisa entrando no site da asset, lendo as cartas do gestor e depois buscando vídeos no YouTube, entrevistas no Google e desbravando os perfis dos fundos e gestoras no Instagram.

Verifique a rentabilidade

Bom, agora você já tem uma boa noção do que está analisando. 

Mas, para encontrar os melhores fundos de ações para investir, vai ter que descobrir quanto o fundo está rendendo neste ano, nos últimos 12 meses, nos últimos 24 meses, nos últimos 36 meses, nos últimos 5 anos e, preferencialmente, em diferentes janelas temporais.

Para isso, há diversos comparadores de fundos.

Um dos mais utilizados e práticos é o do Mais Retorno.

Nele, você descobre a rentabilidade dos fundos e pode inclusive comparar mais de um fundo, para entender não apenas o retorno, mas também sua correlação e seu Sharpe.

Monte estratégias complementares

Ao buscar os melhores fundos de ações para investir, um erro comum é “diversificar” escolhendo dois, três ou quatro fundos muito parecidos, que acabam investindo nas mesmas empresas e que vão cair e subir em conjunto.

Isso não é eficiente em termos de portfólio.

Para montar uma carteira com menor volatilidade e maior retorno em qualquer janela, vale a pena buscar estratégias complementares e fundos descorrelacionados.

Nesse sentido, você pode fazer o seguinte tipo de seleção:

  • 1 fundo de ações que investe com value investing e bottom-up em large caps
  • 1 fundo de ações que investe com value investing e bottom-up em small caps
  • 1 fundo long biased que faz análise top-down e se protege diante das incertezas
  • 1 fundo multifatorial para se expor a diferentes fatores de risco em ações.

Essa é uma maneira de filtrar estratégias complementares. 

Uma outra é analisar os fundos em um simulador como o do Mais Retorno e buscar correlações baixas em diferentes períodos.

Busque fundos de ações no exterior

Parece óbvio, mas é bom lembrar: hoje você não precisa ficar refém do Brasil, e algundos dos melhores fundos de ações para investir estão olhando para o exterior.

Como investidor qualificado, você tem acesso aos melhores gestores do planeta mesmo sem sair do Brasil. 

Nomes como Terry Smith e Mark Mobius são alguns que vêm à cabeça neste momento.

Para esse tipo de investimento, cabe avaliar se você vai querer a exposição cambial ou não mas essa é outra discussão.

E mesmo que você não seja um investidor qualificado, tem à disposição alguns fundos excelentes que investem por meio de BDRs, como o IP Participações.

O que NÃO fazer para encontrar os melhores fundos de ações

Este roteiro abaixo é garantia de NÃO encontrar os melhores fundos de ações para investir:

Verificar apenas retorno de curto prazo

Fundos de ações, como quase todo produto de renda variável, funciona bem para o longo prazo — na faixa de cinco anos, pelo menos.

Você quer ter lucro em cerca de seis meses? 

Tudo bem. Mas invista em outro produto, e não nos fundos de ações. 

Fundos de renda fixa, por exemplo, podem ter aplicação inferior a 12 meses, se é o que você procura.

Ignorar mudanças no time de gestão

Como vimos lá em cima, o gestor e sua equipe são fatores essenciais na hora de encontrar os melhores fundos de ações.

Em um mercado extremamente competitivo como o financeiro, há muita disputa pelos melhores nomes, e é comum que gestores e analistas saiam de uma asset para outra.

Por isso, fique atento a sinais de que a equipe atual do fundo não é a mesma de anos atrás.

Nesse quesito, o assessor de investimentos e a casa de análise podem ajudar.

Usar diversos fundos com a mesma estratégia

Acredite: tem gente que acha que está diversificando só por investir em muitos nomes diferentes de fundos de ações.

Na prática, muitos fundos de ações brasileiros adotam práticas e estratégia semelhante para investir, o que leva a uma grande sobreposição de nomes na carteira.

Ou seja, você pode ter quatro fundos muito parecidos, no fim das contas.

O resultado é que sua carteira vai ter uma performance pior do que se você buscasse maneiras de descorrelacionar esses retornos.

Preparado para investir nos melhores fundos de ações? 

Eu havia prometido alguns nomes para você dar início à sua busca pelos melhores fundos de ações para investir, não é mesmo?

Então aqui vai uma listinha com 4 nomes de fundos de ações (long only) que não são definitivos nem seguem uma lógica de composição de portfólio.

Eles obedecem aos seguintes critérios de elegibilidade: retorno acima da média, ótimo time de gestão, uma proposta diferenciada em relação aos seus pares e com janela de captação em aberto.

IP Participações

O IP Participações é um dos pioneiros em value investing no Brasil.

O time de gestão é excepcional e tem foco especial em ações no exterior, o que é um alívio para quem já não aguenta mais depender do país do futuro.

Não deixe de ler o relatório de gestão (maio a agosto de 2021), que trata de alguns erros emblemáticos ao longo da história do fundo. É uma verdadeira aula.

Uma outra maneira de aprender com os gestores é conferir a participação de Pedro Andrade e Gabriel Raoni no podcast Stock Pickers, em outubro de 2021.

Forpus Ações

Forpus Ações é um bicho completamente diferente.

Faz análise setorial antes de ir para o micro, fica 130% comprado e 30% vendido e usa puts como proteção para evitar grandes quedas.

A gestão fica a cargo de Francisco de Andrade (sócio-fundador da Nest em 2005), e o comitê macro conta com Luiz Nunes, o rosto mais conhecido da casa.

Atenção: de 25 a 29 de outubro, há uma janela de reabertura para captações.

Avantgarde Multifatores

Avantgarde Multifatores é um fundo pioneiro em factor investing no Brasil.

Trata-se de um fundo sistemático com parâmetros orientados pelos fatores de risco (como momentum, valor, qualidade e baixa volatilidade).

Tem alta diversificação, menor volatilidade e uma tese que veio do mundo acadêmico e que já faz sucesso no exterior há muito tempo.

Vale a pena entender melhor essa história na voz do gestor Luciano França, que dá uma aula sobre factor investing nesta live com a Helô Cruz, gestora do Stoxos, fundo de smallcaps que também poderia figurar na lista.

Trígono Small Caps

Trígono Small Caps Flaghip 60 é um fundo de ações que investe em empresas de até R$ 10 bilhões de market cap.

Criado em 2018, o fundo é tocado por Werner Roger, um dos maiores especialistas em smallcaps no Brasil.

Algumas características da Trígono são a concentração (cerca de 69% do fundo de smallcaps em seis nomes apenas em setembro), a avaliação bottom-up a partir do EVA (valor econômico agregado, da sigla em inglês), a busca por empresas fora dos grandes radares e a predileção por companhias que distribuem dividendos.

Vale a pena conferir a resenha mensal de outubro, que fala até em entropia para explicar as previsões econômicas desencontradas e mostrar como a Trígono se posiciona no cenário atual.

Pronto…

Esses são apenas quatro nomes, e não são necessariamente os melhores fundos de ações para investir.

Mas eles podem compor, sim, a carteira do investidor que busca resultados no longo prazo por meio do investimento em boas empresas.

Só que investir em apenas um deles ou investir em todos sem saber como montar o restante da carteira não faz muito sentido.

Também não faz sentido usar esses nomes sem fazer o dever de casa.

Por isso, se você seguir o roteiro que eu dei acima e tentar evitar ao máximo os erros que listei, vai chegar a uma conclusão: há muito o que estudar, ler e assistir para poder aproveitar ao máximo os fundos de ações.

Então, se você quiser um empurrãozinho nessa jornada, conte comigo.

Sou assessor de investimentos e head de fundos na DOC Investimentos, um escritório vinculado ao BTG.

Por lá, tento ajudar os investidores a tomarem esse tipo de decisão. 

Meu foco é oferecer educação financeira de primeira qualidade para que você possa encontrar os melhores investimentos para o seu perfil e para os seus objetivos.

Podemos falar sobre o investimento nos melhores fundos de ações, fundos multimercado, fundos de renda fixa, fundos de investimento no exterior e até fundos de previdência, que foram massacrados pelos bancões no passado e que hoje são excelente alternativa para o longo prazo.

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Gustavo Heldt

Gustavo Heldt

Gustavo Heldt é jornalista, especialista em investimentos, assessor e entusiasta de bons fundos e gestores.

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