Fundos de investimento em ouro: o que são e como investir

Gustavo Heldt

Os fundos de investimento em ouro ganham destaque em momentos de crise. 

É provável que você já tenha ouvido falar que eles são aplicações para proteger a carteira em cenários incertos. 

Mas, afinal, por que isso acontece? Como é o investimento na modalidade?

Antes de começar a investir, você precisa entender essas questões. 

Assim, é possível planejar o investimento com assertividade. 

Para compreender como funcionam os fundos de investimento em ouro, siga com a leitura deste artigo. 

Aqui você vai entender as vantagens do investimento e conhecer algumas alternativas de fundos disponíveis no mercado hoje.

O que são fundos de investimento em ouro

Fundos de investimento em ouro são uma modalidade de investimento que aloca o patrimônio em ativos atrelados ao ouro.

Trata-se de um aplicação coletiva: o fundo reúne um grupo de investidores, que se tornam cotistas e ganham rendimentos de acordo com o número de cotas que possuem.

Os fundos de investimento em ouro compram contratos financeiros lastreados em ouro e, assim, valorizam suas cotas à medida que o metal precioso se aprecia em relação ao dólar, ao real ou a outras moedas.

Dessa forma, o investidor não precisa se preocupar em escolher o contrato certo, em arcar com corretagem ou taxas — basta fazer aportes e deixar esse trabalho de seleção com o gestor do fundo.

Qual é a lógica dos fundos de investimento em ouro

Antes de se aprofundar ainda mais em fundos de investimento em ouro, vale a pena compreender os mecanismos que fazem do ouro um ativo desejável e valorizado ao longo dos tempos, especialmente em momentos de incerteza e de risco de inflação e desvalorização das moedas.

O ouro e a prata começaram a ser usados há centenas de anos como moeda de troca em transações comerciais.

Em algum ponto do final do século 19, o ouro se tornou o lastro dos Bancos Centrais do mundo, que emitiam moeda conforme suas reservas do metal precioso.

No início da Primeira Guerra, em 1914, a escassez de recursos levou a maioria dos países a abandonar a rigidez da conversibilidade de suas moedas em ouro.

No fim da Segunda Guerra, em 1944, com o acordo de Bretton Woods, foram estabelecidos acordos que tornaram o dólar americano o lastro mundial, já que os Estados Unidos contavam com dois terços das reservas de ouro do mundo.

Nesse arranjo, dólares poderiam ser convertidos em ouro, então fazia todo sentido para os Bancos Centrais guardarem dólares em suas reservas.

Só que, no início da década de 1970, os Estados Unidos alteraram os termos desse “acordo”, e os dólares americanos não podiam mais ser convertidos em ouro.

Na prática, foi uma ruptura do governo americano com aquele lastro, e o verdadeiro lastro se converteu em confiança.

Assim, todas as moedas passaram a ser fiduciárias, ou seja, dependiam apenas da confiança no pagador.

E na prática, desde então, a economia passou a depender ainda mais do dólar americano, que serve como reserva e balizador monetário global.

Essa historinha toda aí de cima é uma grande simplificação e serve apenas para introduzir este aspecto: com os Estados Unidos imprimindo moeda como nunca antes, acompanhado dos grandes Bancos Centrais do mundo todo, como confiar que o dólar vai pagar suas contas?

Well, nem todo mundo confia… E parte da valorização do ouro decorre dessa incerteza.

Performance de fundos de investimento em ouro

Nos últimos anos, o ouro tem um desempenho bastante relevante. E os fundos de investimento em ouro perseguem essa valorização.

Na bolsa brasileira, o contrato OZ1 teve uma alta de 70% do início de 2020 a 7 de agosto.

Veja um gráfico:

Tradingview – OZ1

O gráfico acima se refere a um contrato de ouro à vista negociado na bolsa brasileira. Essa é uma das maneiras de se expor ao metal precioso.

No Brasil, a oferta de fundos de investimento em ouro para o investidor comum é relativamente recente.

O fundo BTG Pactual Ouro FI Mult, por exemplo, foi criado em 2019. Cobra taxa de administração de 0,1% e movimentação mínima de R$ 500,00.

Esta não é uma recomendação de investimento — apenas um exemplo de fundo de investimento em ouro. Nos próximos tópicos, traremos outras alternativas.

Veja o desempenho desse fundo nos últimos meses:

2020

  • Junho: 3,21%
  • Maio: 2%
  • Abril: 6,63%
  • Março: 1,09%
  • Fevereiro: -1,04%
  • Janeiro: 4,06%.

2019

  • Dezembro: 3,82%
  • Novembro: -3,10%
  • Outubro: 3,18%
  • Setembro: -3,35%
  • Agosto: 7,08%
  • Julho: 0,88% 
  • Junho: 3,49%.

É bom ficar claro que o desempenho passado não é garantia de retorno futuro.

E que o ouro tem alta volatilidade, como você pode ver pela flutuação de desempenho ao longo dos meses.

Tributação em fundos de investimento em ouro

A tributação em fundos de investimento em ouro envolve IOF, Imposto de Renda e come-cotas.

Para operações de curtíssimo prazo, é bom ficar atento ao IOF.

Esse imposto segue uma tabela agressiva e regressiva, partindo de 96% no primeiro dia e chegando 0% no trigésimo dia. 

Fugiu do IOF? Ótimo, mas não vai conseguir se livrar do Imposto de Renda, que segue uma tabela regressiva (menos agressiva), de 22,5% para resgates antes de 180 dias a 15% para resgates após 720 dias.

A tabela é a seguinte:

  • Até 180 dias: 22,5% de IR
  • 181 a 360 dias: 20% de IR
  • 361 a 720 dias: 17,5% de IR
  • Mais de 720 dias: 15% de IR.

O recolhimento do IR em fundos como esse conta com uma figura temida, o come-cotas. 

A cada seis meses, no último dia útil de maio e novembro, o come-cotas é responsável por um recolhimento antecipado do IR, com uma alíquota de 15%. 

Lá no resgate, no fim do investimento, há um acerto de contas equilibrando o IR de acordo com o tempo total de aplicação.

Por que investir em fundos de investimento em ouro

Agora você já sabe o que são os fundos de investimento em ouro. Mas, afinal, quais são os motivos para investir na modalidade? Confira três razões nos tópicos abaixo.

Perspectiva de inflação 

Momentos de crise são propícios para o investimento em ouro. 

Com a pandemia do coronavírus, o cenário é de déficit fiscal intensificado e instabilidade financeira ao redor do mundo. 

Além disso, para sobreviver à crise, os países hoje emitem mais dinheiro. 

A partir do excesso de impressão e velocidade da circulação, pode ocorrer a desvalorização da moeda. 

Se o dinheiro passa a valer menos, significa que o poder de compra do consumidor é reduzido. 

A perspectiva, portanto, aponta para um possível aumento da inflação.

Nesse contexto, o ouro funciona como um ativo de proteção. Como veremos a seguir, ele tende a reter seu valor.

Reserva de valor

Historicamente, o ouro funciona como reserva de valor e faz parte do balanço patrimonial de diversos países. 

Além disso, trata-se de um material escasso

Por isso, ao invés de se desvalorizar, ele tende a ganhar valor com o tempo. 

Em cenários de crise e queda de ativos na bolsa, há uma demanda ainda maior por ouro, justamente porque investidores buscam uma forma de se proteger da volatilidade do mercado e minimizar perdas financeiras. Consequentemente, o preço do ouro sobe, acompanhando o aumento da procura por ele. 

Segurança histórica

Outro motivo para investir em fundos de investimento em ouro é a segurança histórica que oferece. 

Ao contrário da moeda, o ouro é escasso e não pode ser produzido, o que significa que nunca circula em excesso no mercado. Dessa forma, não tem como ele se desvalorizar. 

Com a estabilidade do valor do ouro, os fundos de investimento acompanham o seu desempenho. 

Por isso, oferecem segurança histórica a partir de desempenhos consistentes ao longo do tempo ?— o que atrai investidores que desejam proteger a carteira.

3 fundos de investimento em ouro

Depois de entender as vantagens dos fundos de investimento em ouro, é hora de mapear as opções disponíveis no mercado.

A seguir, descubra três opções e suas principais características. Lembre-se: as opções abaixo não são indicações de investimento.

Trend Ouro FIM – XP 

O fundo Trend Ouro FIM é oferecido pela XP Investimentos e conta com patrimônio líquido de R$ 414.662.112,54 (dados de julho de 2020). Abaixo, confira algumas taxas e requisitos que você deve analisar.

  • Taxa de administração: 0,5%
  • Movimentação mínima: R$ 100,00
  • Aporte inicial mínimo: R$ 500,00
  • Saldo de permanência no fundo: R$ 100,00.

Ouro FI Mult – BTG Pactual Digital

Outra opção é o fundo FI Mult, do BTG Pactual Digital, indicado para investidores com perfil moderado.

  • Taxa de administração: 0,10%
  • Movimentação mínima: R$ 500,00
  • Aporte inicial mínimo: R$ 500,00
  • Saldo de permanência no fundo: R$ 500,00.

Órama Ouro FIM – Órama

Destinado a pessoas físicas em geral, o fundo Órama Ouro FIM, da Órama, é outro investimento disponível no mercado.

  • Taxa de administração: 0,60%
  • Movimentação mínima: Não há
  • Aporte inicial mínimo: Não há
  • Saldo de permanência no fundo: Não há.

Como vimos, investir em fundos de investimento em ouro é uma opção para proteger a carteira das oscilações da renda variável e ter acesso à gestão especializada desses ativos.

Para escolher o melhor fundo, analise taxas, desempenho histórico e regras dispostas na lâmina de cada um.  Além disso, vale a pena se aprofundar mais sobre o assunto e ter bastante clareza dos motivos pelos quais você está aplicando seus recursos nesse tipo de instrumento.

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