Fundos de criptomoedas: como funcionam e quem pode investir

Gustavo Heldt

Os fundos de criptomoedas ganharam força com a valorização dos criptoativos no mercado financeiro.

Eles são ideais para quem quer aproveitar o potencial desses ativos, mas não está disposto a encarar sua alta volatilidade.

No Brasil, já existem opções de fundos que se expõem a índices de criptomoedas, como forma de investir indiretamente nos criptoativos.

Quer conhecer melhor os fundos de criptomoedas e entender essa tendência?

É só continuar lendo para tirar suas próprias conclusões. 

O que são fundos de criptomoedas

Fundos de criptomoedas são fundos de investimento com exposição a criptoativos.

Em dezembro de 2020, o Bitcoin quebrou o recorde de valorização com 295% acumulados, sendo considerado o ativo mais bem-sucedido do ano, segundo dados publicados no Olhar Digital. 

Nos EUA, grandes investidores já estão sendo atraídos pelo potencial de rentabilidade dos criptoativos, que antes eram mais populares entre investidores mais jovens.

Por aqui, esse mercado ainda não é regularizado.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite que os fundos brasileiros invistam de forma indireta em criptomoedas, ou seja, comprem cotas de fundos estrangeiros e fundos de índice com exposição a esses ativos.

Assim, os investidores brasileiros já podem utilizar os fundos de criptomoedas como alternativa para investir em criptoativos sem precisar sair de um ambiente regulado. 

Como funcionam os fundos de criptomoedas

Os fundos de criptomoedas funcionam como qualquer outro fundo de investimento: você compra uma cota da aplicação coletiva e tem direito a receber os lucros da carteira gerenciada por um gestor profissional.

No entanto, a CVM determinou que somente fundos que investem em ativos no exterior podem aplicar recursos em criptomoedas, já que é preciso comprar cotas de fundos estrangeiros.

Nesse caso, os tipos de fundos autorizados são fundos multimercado de investimento no exterior e FICs (fundos de investimentos em cotas) que compram cotas de outros fundos. 

No Ofício Circular CVM/SIN 11/18, fica claro que esses fundos podem investir em títulos mobiliários lastreados ou referenciados em criptomoedas, desde que sejam permitidos, registrados e seguros, nos termos da legislação dos Estados estrangeiros.

Quem pode investir em fundos de criptomoedas

Todos os investidores podem investir em fundos de criptomoedas, mas há diferenças importantes entre os tipos de fundos disponíveis. 

A CVM determinou que os fundos de varejo, ou seja, voltados ao público amplo de investidores (não qualificados ou profissionais), só podem alocar até 20% do seu capital em cotas de fundos estrangeiros expostos aos criptoativos.

Os 80% restantes precisam, obrigatoriamente, ser alocados em renda fixa, como forma de reduzir os riscos associados às criptomoedas e a volatilidade do fundo.

Já os fundos voltados a investidores qualificados (que possuem patrimônio superior a R$ 1 milhão em investimentos) têm duas opções:

  • Respeitar um limite de 40% em criptoativos determinado pela CVM
  • Incluir o sufixo “Investimento no Exterior” e subir o limite para 67% do patrimônio líquido.

Os únicos fundos de criptomoedas que podem alocar 100% do capital em criptoativos são aqueles de investimentos no exterior voltados a investidores profissionais (instituições financeiras, clubes de investimento, entidades de previdência privada e investidores com patrimônio superior a R$ 10 milhões aplicado). 

Rentabilidade e risco dos fundos de criptomoedas

Obviamente, os fundos de criptomoedas chamam a atenção pela flutuação intensa dos criptoativos nos últimos anos. 

Com a disparada do Bitcoin e o crescimento de mais de 600% da ethereum (a segunda maior criptomoeda), noticiado na Valor Investe em janeiro de 2021, fica claro o interesse crescente por esse tipo de ativo.

Mas, antes de sair investindo em fundos de criptomoedas, é fundamental conhecer os riscos desse produto.

A própria CVM alerta os investidores sobre a importância de analisar a gestão do fundo e certificar-se de que o responsável adota práticas e medidas de mitigação de risco compatíveis com o perfil dos criptoativos.

Além da volatilidade das cotações, o órgão aponta riscos particulares como invasões de hackers a sistemas de informação, dificuldades para estabelecer um sistema de precificação justo e risco de fomentar práticas fraudulentas e práticas ilegais de lavagem de dinheiro. 

3 fundos de criptomoedas para investir

Agora que você entendeu como funcionam fundos de criptomoedas, vamos a alguns exemplos de fundos disponíveis no país.

Confira.

Hashdex Criptoativos Discovery

O Hashdex Criptoativos Discovery FIC FIM é considerado um dos fundos de criptomoedas mais acessíveis, disponível para todos os tipos de investidores.

Ele é indicado para quem está começando a se familiarizar com esse mercado, seguindo a regra dos 20% alocados em criptoativos no exterior e 80% na renda fixa. 

O fundo acumula rentabilidade de 38,66% desde o início, em julho de 2019, segundo dados divulgados em janeiro de 2021. 

A taxa de administração é de 1% a.a. e o investimento mínimo de R$ 500,00. 

Forpus Multiestratégia FIM LP

O Forpus Multiestratégia FIM LP é um fundo de investimento multimercado que investe em ações, índices, câmbio, juros, commodities e criptoativos em longo prazo.

Ele é destinado a investidores em geral e adota uma estratégia de top-down setorial para superar o CDI.

Ainda não há dados sobre rentabilidade, pois o fundo foi constituído em setembro de 2020 (os resultados são divulgados após 6 meses).

O investimento mínimo é de R$ 1.000,00, e a taxa de administração, de 1,75% a.a.

BLP Criptoativos FIM

O BLP Criptoativos FIM é um fundo de investimento multimercado no exterior para investidores em geral (20% de alocação em criptoativos).

Ele entregou rentabilidade de 39,61% em 2020, segundo dados divulgados em janeiro de 2021.

A aplicação inicial mínima é de R$ 1.000,00 e a taxa de administração de 1,48% a.a.

E então, deu para ficar por dentro dos fundos de criptomoedas?Se você quer diversificar em fundos de renda variável, conheça também os fundos de ações, fundos cambiais e fundos de índices (ETF).

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Gustavo Heldt

Gustavo Heldt

Gustavo Heldt é jornalista, especialista em investimentos, assessor e entusiasta de bons fundos e gestores.

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