Fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados: o que é?

Gustavo Heldt

O fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados é um investimento para quem já tem alguma experiência no mercado financeiro.

Nele, o patrimônio é alocado em créditos que empresas têm a receber no futuro.

Entre as vantagens, está a possibilidade de diversificar a carteira, ganhos acima da média na renda fixa e contar com a atuação de um gestor especializado.

Mas antes de investir, é preciso conhecer todas as características da modalidade.

Siga com a leitura e descubra como funciona o fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados.

O que é um fundo de investimento em direitos creditórios

Fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) é um fundo que investe acima de 50% do patrimônio líquido em direitos creditórios.

É uma modalidade coletiva de investimento que reúne um grupo de investidores, que se tornam cotistas e recebem rendimentos.

Para entender como funciona a modalidade, primeiro é necessário entender o que são direitos creditórios.

De forma resumida, trata-se de créditos que uma empresa tem a receber no futuro, como cheques, duplicatas e valores de parcelas do cartão de crédito, por exemplo.

Por meio de um processo chamado securitização, instituições transformam essas dívidas em títulos de crédito, que são vendidos a investidores. Aí o dinheiro é repassado previamente à empresa.

Os ativos em que o FIDC investe são justamente esses títulos provenientes da securitização.

Em outras palavras, o investidor compra títulos emitidos pelas securitizadoras e tem acesso a lucros por meio da incidência de juros durante o período da aplicação.

Além disso, o fundo de investimento em direitos creditórios é uma alternativa para quem busca diversificar a carteira.

O que é um fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados

Os direitos creditórios são divididos em duas categorias: padronizados e não padronizados.

Os padronizados envolvem riscos menores ao investidor e possuem uma origem clara. É o caso de duplicatas, cheques, notas promissórias e contratos de empréstimos, por exemplo.

Já os não padronizados envolvem riscos maiores, como as precatórias, dívidas vencidas e de inadimplentes e derivativos de crédito. 

Logo, o fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados é aquele que investe nessa categoria de ativo.

De modo geral, esse tipo de fundo é indicado para investidores que já têm alguma experiência no mercado de investimentos.

Características do fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados

Agora que você já sabe o que é um fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados, conheça as características da modalidade a partir dos tópicos a seguir:

1. Gestão profissional

Ao ingressar em um fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados, você tem acesso a uma gestão profissional das aplicações.

Cada fundo tem um gestor, e ele é responsável por alocar o patrimônio do fundo, acompanhar a performance do fundo e desenvolver a estratégia.

Para o investidor que não tem tempo para acompanhar de perto as aplicações, essa é uma grande vantagem do fundo.

2. Investimento de renda fixa

Os fundos de investimento em direitos creditórios não padronizados são considerados aplicações de renda fixa. 

Nesse caso, o investidor pode calcular de forma prévia a rentabilidade das aplicações em determinado período de tempo.

É uma opção que envolve menos riscos em relação à renda variável (como o mercado de ações, por exemplo).

3. Risco de crédito 

Nos fundos de direitos creditórios, há o risco de crédito: a possibilidade de que os consumidores não paguem as dívidas ou atrasem o pagamento.

Há risco maior no caso dos direitos creditórios não padronizados e, quando há inadimplência do consumidor, ocorre também uma perda de rentabilidade no fundo.

Além disso, o investimento não é garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Em compensação, o processo se torna mais seguro porque são contratadas consultorias de crédito para avaliação e aprovação dos recebíveis.

4. Risco de liquidez

Outro ponto que deve ser observado é o risco de liquidez. 

Por se tratar de um investimento mais restrito no mercado, o fundo em direitos creditórios tem baixa liquidez

Portanto, não é indicado para o investidor que não sabe em quanto tempo vai ter que resgatar o dinheiro, nem para criação de reserva de emergência.

5. Tributação regressiva

Quanto à tributação, o fundo e investimento em direitos creditórios não padronizados segue a alíquota regressiva que incide sobre aplicações em renda fixa.

Os fundos são classificados em curto e longo prazo, a partir das seguintes tabelas:

Fundos de curto prazo

  • Até 180 dias: 22,5%
  • Acima de 180 dias: 20%.

Fundos de longo prazo

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%.

Além disso, em ambos os casos, há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates em menos de 30 dias, também seguindo uma tabela regressiva que começa com alíquota de 96% sobre os rendimentos para resgates em 1 dia.

E aí, compreendeu como funciona o fundo de investimento em direitos creditórios não padronizados?

Se você gostou deste artigo, não deixe de compartilhar e leia outros conteúdos exclusivos do blog. Confira também outros fundos de investimento sobre os quais já falamos: fundos cambiaisfundos de ourofundos de açõesfundos multimercado e fundos de renda fixa.

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Gustavo Heldt

Gustavo Heldt

Gustavo Heldt é jornalista, especialista em investimentos, assessor e entusiasta de bons fundos e gestores.

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