ETF ou fundo de ações: o que é o quê e como investir

Em dúvida se investe em ETF ou fundo de ações? Na verdade, as aplicações não são excludentes.

São dois tipos de fundos, um com gestão passiva e outro com gestão ativa. O primeiro conta com custo baixo e praticidade, e o segundo, com o know-how de um gestor que será premiado caso supere o índice de referência.

Por isso, ambos são investimentos que possibilitam ao investidor diversificar o portfólio sem ter o trabalho de selecionar as ações e acompanhar em minúcias os balanços e fatos relevantes das companhias, o que demanda tempo e conhecimento aprofundado.

Nas próximas linhas, preparamos um guia completo para você entender melhor as diferenças entre ETF e fundo de ações, as características e vantagens de cada um e como fazer seus primeiros investimentos nesses veículos financeiros.

ETF ou fundo de ações: o que é o quê

ETF ou fundo de ações são modalidades coletivas de investimentos. Ambos contam com um gestor, que aplica o dinheiro dos cotistas de acordo com o regulamento e o mandto do fundo. 

O que é ETF

ETF significa Exchange-Traded Fund, ou fundo de índice. Seu objetivo é espelhar o desempenho de algum índice, como o Ibovespa, a principal referência da bolsa de valores (B3).

Quando você compra um ETF, o  desempenho do seu investimento será praticamente idêntico ao do índice que ele acompanha.

Significa que, se o índice se valorizar, seu patrimônio valerá mais. Se desvalorizar, valerá menos.

Ao comprar um ETF que replica o Ibovespa, por exemplo, o investidor adquire todas as ações representadas pelo IBOV de uma só vez.

Um ETF, portanto, é um fundo de gestão passiva, em que o único trabalho do gestor é ajustar os ativos na mesma proporção do índice, de forma que o desempenho seja igual — ou o mais próximo possível.

Vários ETFs negociados no mercado são referenciados em índices de ações, mas há também ETFs de renda fixa, que replicam o IMA-B (índice de títulos públicos).

Como investir em ETF

Diferentemente de outros fundos, as cotas de ETFs são negociadas na bolsa de valores, como se fossem uma ação. O investidor pode comprar e vender durante o pregão, sem prazos de carência.

Basta ter conta em uma corretora de valores, escolher o código do ETF no home broker, enviar a ordem e aguardar a execução. 

O que é fundo de ações

Fundo de ações é um tipo de investimento coletivo focado em explorar as oportunidades da renda variável. Embora tenha esse nome, não necessariamente precisa investir apenas em ações.

Um fundo de ações deve aplicar pelo menos 67% do patrimônio em ativos de renda variável, que inclui ações e também cotas de fundos de ações, fundos de índice ou certificados de ações negociadas no exterior.

Como todo fundo, conta com um gestor profissional, que é o responsável por aplicar o dinheiro dos cotistas no mercado financeiro em busca de rentabilidade.

Diferentemente de um ETF, que apenas espelha um índice, os fundos de ações costumam oferecer gestão ativa. Ou seja, o gestor seleciona os ativos na expectativa de obter ganhos acima da média.

Por serem mais trabalhosos, em geral cobram taxas de administração mais altas do que os fundos de índices (ETFs).

Como investir em fundos de ações

Fundos de ações não são negociados no home broker, como os ETFs. Para acessá-los, o investidor precisa ter conta em uma corretora, observar o aporte mínimo e fazer a aplicação por meio da plataforma. As informações sobre o prazo de aplicação e resgate constam no regulamento e na lâmina do fundo.

Por que investir em ETF

ETF é uma boa opção tanto para os estreantes na renda variável, quanto para quem pretende diversificar a carteira sem muito trabalho.

Baixo custo

Por serem fundos de gestão passiva, que apenas seguem a variação de determinado índice, os ETFs geralmente têm custos bem mais baixos do que os fundos de ações.

As taxas de administração costumam ficar abaixo de 0,5% ao ano. No caso do BOVA11, por exemplo, um dos ETFs mais negociados da B3, a taxa de administração é de 0,30% ao ano. 

Os custos menores são justificados pelo pouco trabalho que o gestor tem na composição da carteira. 

Como ele apenas ajusta os ativos na proporção do índice, não precisa de uma equipe técnica para analisar o mercado.

Praticidade

Se você busca apenas replicar em seu portfólio o desempenho de um determinado índice, como o Ibovespa, comprar ETF é a opção mais vantajosa. 

Há fundos de ações passivos também, que são indexados (ou seja, espelham índices). Mas se a ideia é copiar, o ETF tem alguns diferenciais. 

Dentre eles, a possibilidade de acompanhar em tempo real a rentabilidade do investimento com base nas oscilações das cotas em bolsa. 

Outra vantagem é a rapidez com que você consegue entrar e sair do investimento, considerando que o ETF tenha bom volume de negociação nos pregões. 

Fundos de ações podem ter prazos mais longos de liquidação (tempo entre o pedido do resgate e o recebimento do dinheiro).

Por que investir em fundo de ações

Fundos de ações são boas opções quando o investidor busca retorno além do desempenho de algum índice, mesmo que os custos sejam maiores.

Rentabilidade acima da média

Diversos fundos de ações de gestão ativa buscam superar os benchmarks (índices de referência). Para isso, o gestor e sua equipe se dedicam a encontrar no mercado as melhores oportunidades. 

Estratégia diferenciada

Cada fundo tem uma estratégia de investimento. Como mencionamos acima, o gestor não precisa necessariamente comprar apenas ações. Pode compor a carteira com diferentes ativos, desde que o regulamento permita.

O gestor pode buscar por ações negociadas com desconto (abaixo do seu valor intrínseco), usar derivativos como proteção, investir em empresas com grande potencial de crescimento, dentre outras estratégias.

No Brasil, nos últimos anos, muitos gestores contam com desempenho bastante superior ao do índice. 

Confira os exemplos de fundos como Alaska, Equitas Selection, Forpus e Brasil Capital.

ETF ou fundo de ações: dica final

Nada impede que você tenha na carteira ETFs e fundos de ações. Afinal, são investimentos que podem trazer boas rentabilidades, principalmente no longo prazo.

Mas, se você está com algum capital disponível e quer dar seus primeiros passos, nossa sugestão é investir, primeiro, em conhecimento sobre a renda variável. Vá atrás dos principais conceitos, do poder multiplicador dos juros compostos e da lógica de aplicar recursos em ativos geradores de riqueza (e renda).

Depois, comece a navegar por blogs como este, canais do YouTube sobre finanças e investimentos e vasculhe as entrevistas com os gestores dos fundos de ações. Por lá, você vai encontrar quase todos eles dando as caras rotineiramente e explicando sobre suas estratégias e sobre suas ideias de investimento.

Trata-se do melhor atalho para tomar sua decisão. Encontre aquele com maior afinidade com suas ideias e faça um aporte inicial. Depois vá reunindo outras boas cabeças e monte o seu portfólio de gestores, que vão trabalhar com afinco em busca das melhores oportunidades da bolsa.

E se você quer dar uma chance aos ETFs, que tal analisar algumas alternativas que não estão diretamente relacionadas ao índice Bovespa?

O IVVB11, por exemplo, replica o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas em valor de mercado negociadas nos Estados Unidos. A taxa de administração é de apenas 0,23% ao ano.

O SMAL11 é um ETF que replica o desempenho do Índice Small Cap, aquele que reúne as companhias de menor capitalização e que contam com grande potencial de valorização. A lógica de investir em small caps com o ETF é que você pode diversificar em dezenas de empresas com uma única aplicação. A taxa de administração é de apenas 0,50% ao ano.

Os dois ETFs acima não são recomendações de investimento, mas exemplificam bem o tipo de alternativa que existe nesse mercado.

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