Como funciona um fundo de investimento: tire suas dúvidas

Pesquisando sobre como funciona um fundo de investimento? Como você deve imaginar, trata-se de um mercado amplo, com opções para os mais diversos perfis e objetivos.

Um fundo de investimento, basicamente, é um tipo de aplicação coletiva, em que vários investidores se reúnem para explorar as oportunidades do mercado financeiro. 

Um gestor profissional se encarrega de selecionar os ativos nos quais o dinheiro dos cotistas será aplicado, sempre em busca da melhor rentabilidade

Caso o trabalho seja bem-sucedido, o retorno positivo poderá ser medido pela valorização das cotas. Do contrário, as cotas perderão valor.

Interessado em saber mais sobre o tema, descobrir uma ótima maneira de diversificar suas aplicações? Então siga a leitura para entender como funcionam os principais tipos de fundos de investimento e como começar a investir nesse veículo financeiro.

Como funciona um fundo de investimento em ações

Os fundos de investimento em ações funcionam como uma porta de entrada para quem está começando na renda variável. 

Estruturar uma carteira de ações demanda tempo e conhecimento. Por meio de um fundo, o investidor delega esse trabalho a um gestor profissional. 

O que faz

Fundos de ações aplicam pelo menos 67% dos recursos em ações ou outros ativos do gênero, como:

  • Bônus ou recibos de subscrição
  • Cotas de fundos de ações
  • Fundos de índices
  • Recibos que representam ações negociadas no exterior (BDRs).

Tributação

Apenas um tipo de imposto é cobrados sobre os rendimentos dos fundos de ações, o IR. O Imposto de Renda, retido na fonte, é de 15% para os fundos de ações, independentemente do prazo de resgate.  

O IOF não incide sobre esse tipo de fundo, mesmo em resgates nos primeiros 30 dias. 

Vantagens

O investimento em fundos de ações tem diversas vantagens, tanto do ponto de vista prático quanto tributário. As principais são:

Diversificação

A diversificação do portfólio é, sem dúvida, uma das principais vantagens dos fundos de ações. Afinal, com um aporte mínimo é possível se expor a diferentes ativos de renda variável. 

Gestão profissional

A gestão profissional também é fundamental para o sucesso do investimento. Uma equipe treinada e experiente faz a diferença, tanto na identificação das melhores oportunidades, quanto nas estratégias de gestão de risco.

Sem “come-cotas”

Outra vantagem dos fundos de ações em relação a outros fundos de investimento é a inexistência da antecipação do Imposto de Renda por meio do “come-cotas”. 

Liquidez

A liquidez dos fundos de ações (e dos demais fundos de investimento) é medida pelo tempo entre o pedido de resgate e o recebimento do dinheiro

Há dois prazos: cotização (transformação das cotas em dinheiro) e liquidação (tempo para o dinheiro cair na conta). Somados, os prazos podem ser de 30, 60 dias ou mais. Vai depender de cada fundo.

Benchmark

Benchmark é o índice de referência usado pelos fundos para balizar seu desempenho. Os fundos de ações costumam utilizar o Ibovespa, o principal índice de ações da bolsa brasileira. 

Como funciona um fundo de investimento multimercado

Os fundos de investimento multimercado funcionam de maneira bastante peculiar, ja que contam com exposição diferentes níveis de riscos, estratégias e ativos..

Como mesclam ativos diversos, podem adotar estratégias tanto de maximização dos resultados quanto de proteção do patrimônio. 

O que faz

Fundos multimercados podem investir em ativos de renda fixa, câmbio, ações, derivativos, dentre outros. 

Também podem adotar alavancagem (operações com valores acima dos recursos disponíveis) em busca de rentabilidade. 

Tributação

Como em outros fundos de investimentos, os multimercados estão sujeitos a dois tipos de impostos: 

  • IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras), para resgates feitos até 30 dias após a aplicação
  • Imposto de Renda, cobrado de acordo com o tempo do investimento e o prazo do fundo. 

No caso do IR, as tabelas aplicadas são regressivas, ou seja, os impostos são mais altos sobre resgates de curto prazo e mais baixos para resgates de longo prazo.

  • Fundo de curto prazo, com vencimento em até 365 dias, a cobrança do IR varia de 20% a 22,5%
  • Fundo de longo prazo, com vencimento acima de 365 dias, a alíquota do IR varia de 15% a 22,5%.

Vantagens

Fundos multimercados podem reunir estratégias diversas em busca de rentabilidade e de proteção da carteira. Entre as principais vantagens, destacam-se:

Diversificação 

Em um único fundo, o investidor tem acesso a uma carteira de ativos de diversas classes, tanto de renda fixa, quanto variável.

Alavancagem

Aos fundos multimercados é permitida a alavancagem (operações com recursos superiores ao patrimônio). Quando bem utilizada, pode trazer ótimos resultados. 

Flexibilidade

Como são mais flexíveis, os multimercados adotam estratégias ampliadas de alocações. Sempre que julgar necessário, o gestor pode mudar de aplicação.

Liquidez

O prazo de cotização e liquidação dos fundos multimercados variam bastante. O tempo entre o pedido de resgate e o recebimento do dinheiro pode ser de 1, 30 ou 45 dias, por exemplo. 

Benchmark

Fundos multimercados geralmente usam como benchmark o CDI, o principal índice de referência da renda fixa. 

Como funciona um fundo de investimento em renda fixa

Fundos de renda fixa investem pelo menos 80% do capital dos cotistas em ativos de renda fixa, como títulos públicos e privados. Eles se dividem em quatro tipos, conforme a Comissão de Valores Mobiliários:

  • Fundos referenciados: 95% dos ativos devem acompanhar o desempenho de algum índice, como a taxa Selic
  • Fundos de curto prazo: buscam a menor volatilidade possível e aplicam em títulos com prazo máximo de 375 dias e médio inferior a 60 dias
  • Fundos simples: detêm, pelo menos, 95% de patrimônio líquido investido em títulos da dívida federal ou equivalentes
  • Fundos de dívida externa: investem, pelo menos, 80% do patrimônio líquido em títulos da dívida externa nacional vendidos no mercado internacional.

O que faz

Um fundo de renda fixa aplica o dinheiro dos cotistas em títulos do governo e de empresas/bancos (CDBs, debêntures) a uma taxa de juros que pode ser pré ou pós-fixada.

Tributação

Os impostos cobrados sobre os rendimentos também são o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o Imposto de Renda. 

  • IOF incide sobre resgates feitos nos primeiros 30 dias após o investimento e varia de 0% a 96%
  • IR segue as regras de tabelas regressivas, de acordo com o prazo do fundo e o tempo do investimento. A alíquota varia de 15% a 22,5%.

Vantagens

Quem investe em fundo de renda fixa privilegia a segurança. As principais vantagens são:

Baixo risco

Fundos de renda fixa geralmente são menos arriscados do que fundos de ações e multimercados. Isso ocorre porque o investidor conhece previamente os termos da rentabilidade. 

Não quer dizer que não haja oscilações das cotas. Fundos que investem em títulos públicos prefixados ou atrelados à inflação, por exemplo, sofrem variação no valor das cotas devido à marcação a mercado. Há ainda aqueles que investem em títulos de dívida das empresas, que devem ser evitados para a composição da reserva de emergência.

Acesso a investimentos restritos

Como o gestor tem à disposição recursos de vários cotistas e expertise na área, ele consegue acesso a investimentos que são restritos ao investidor iniciante. 

Praticidade

Em um único fundo, é possível acessar diversos ativos, contribuindo para a diversificação da carteira. E o trabalho de alocar fica por conta do gestor, o que torna prático o processo de investir.

Liquidez

O tempo entre o pedido de resgate e o recebimento do dinheiro varia de fundo para fundo. Há alguns com liquidez diária, por exemplo, e outros com resgates maiores, especialmente quando envolvem papéis menos líquidos, como títulos privados e debêntures. As informações constam na lâmina do produto.

Benchmark

Vários fundos de renda fixa usam como referência o CDI, mas outros indicadores também pode ser adotados, como o IMA-B (que mede o desempenho dos títulos públicos atrelados ao IPCA).

Como funciona um fundo de investimento em ouro

Fundo de investimento em ouro funciona como uma opção prática para quem busca um seguro contra crises.

É usado como proteção às fortes oscilações em períodos de turbulência no mercado financeiro, principalmente para quem tem dinheiro em renda variável.  

O que faz

Os investimentos geralmente são lastreados em contratos financeiros de ouro. Os fundos podem ter proteção cambial, desempenho somado ao CDI ou buscar a variação do ouro em dólar.

Tributação

Os fundos de ouro estão sujeitos a dois tipos de impostos:

  • IOF: cobrado em casos de resgate durante os primeiros 30 dias do investimento
  • Imposto de Renda: cobrado sobre os rendimentos de acordo com tabela regressiva. Começa em 22,5% para investimentos de até seis meses e vai a 15% para investimentos com dois anos ou mais.

Vantagens

As principais vantagens de investir em ouro por meio de fundos são:

Proteção

O ouro é considerado um ativo resistente às crises, portanto uma boa opção para preservar a carteira. 

Diversificação

Além de se expor ao preço do metal, determinados fundos de ouro permitem ao investidor acompanhar a variação do dólar, moeda que também se valoriza em tempos de crise.

Facilidade

A partir de R$ 500, já é possível investir em um fundo de ouro, valor bem mais acessível do que comprar o ouro físico ou na bolsa, por exemplo. 

Liquidez

Os fundos de investimento em ouro geralmente têm boa liquidez. Os resgates podem ser feitos em 6, 8 ou 12 dias dependendo do fundo (contando prazo de cotização e liquidação). 

Benchmark

Como são considerados fundos multimercados, o benchmark pode variar. O índice adotado pode ser o CDI ou a variação do preço do ouro na bolsa de Londres, por exemplo (o GOLDLNPM Index).

Como funciona um fundo de investimento cambial

Os fundos de investimentos cambiais investem em ativos relacionados a moedas estrangeiras, como o dólar e o euro. Assim como os fundos de investimento em ouro, também são usados como proteção da carteira. 

O que faz

Fundos cambiais investem pelo menos 80% do patrimônio em ativos relacionados a moedas estrangeiras, principalmente o dólar. 

As aplicações não precisam ser necessariamente em moedas. Podem ser em ativos que replicam a variação cambial

Tributação

Há dois tipos de impostos sobre os fundos cambiais: IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) e Imposto de Renda. 

  • IOF: como em outros fundos de investimento, é cobrado apenas se houver resgate no período de 30 dias após o aporte. Pode consumir até 96% do rendimento 
  • IR: segue as tabelas regressivas com alíquotas diferentes para cada tipo de fundo: curto ou longo prazo. As alíquotas variam de 15% a 22,5%.

Vantagens

Investir em fundo cambial é estar exposto às variações de moeda estrangeira. As principais vantagens são:

Proteção

Fundos de câmbio têm como vantagem a proteção da carteira, principalmente se o investidor tem dinheiro aplicado na renda variável no Brasil. 

No caso do dólar, por exemplo, isso ocorre por causa da correlação negativa entre a moeda e as ações brasileiras. Se um sobe, geralmente o outro desce.

Diversificação

Outra vantagem é a diversificação. Fundos cambiais permitem ao investidor se expor de maneira indireta ao desempenho da economia internacional.

Possibilidade de ganhos

Além de servir como proteção, fundos de câmbio também podem trazer ganhos significativos caso haja apreciação da moeda na qual se referencia. 

Liquidez

Geralmente os fundos cambiais têm boa liquidez. O prazo entre a solicitação de resgate e o recebimento do dinheiro costuma levar poucos dias. A informação exata consta no regulamento e na lâmina do fundo.

Benchmark

Os indicadores adotados pelos fundos de câmbio estão relacionados às variações das moedas nas quais investem.

No caso dos fundos lastreados em dólar, o Ptax (taxa de câmbio calculada diariamente pelo Banco Central) geralmente serve como benchmark.

Como funciona um fundo de previdência privada

Os fundos abertos de previdência privada são divididos em duas modalidades: PGBL e VGBL.

  • PGBL (Plano Gerador de Vida Livre): permite deduzir as contribuições feitas ao plano até o  limite de 12% da renda bruta tributável. Destina-se a quem faz a declaração completa do Imposto de Renda
  • VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre): dedicado a quem é isento ou declara o Imposto de Renda pelo modelo simplificado. Não possui dedução fiscal.

O que faz

Fundos de previdência buscam objetivos de longo prazo, como a aposentadoria ou a compra de um imóvel.

Tributação

Têm vantagens tributárias exclusivas, como a possibilidade de escolher a forma de pagamento do Imposto de Renda. São aplicáveis duas tabelas:

  • Tabela regressiva: varia de 35% a 10% de acordo com o tempo do investimento
  • Tabela progressiva: varia de 0% a 27,5% de acordo com os valores recebidos.

Vantagens

As principais vantagens dos planos de previdência privada são:

Ausência do “come-cotas”

Nos fundos previdenciários não há antecipação do Imposto de Renda a cada seis meses, o “come-cotas”, como nos fundos de renda fixa e multimercados.

Menor alíquota de imposto 

Em janelas temporais de 10 anos ou mais, é possível pagar 10% de Imposto de Renda, a menor alíquota existente.

Renda vitalícia

Ao terminar a fase de acumulação, o contribuinte tem a opção de converter o patrimônio acumulado em renda vitalícia, que pode inclusive ser revertida aos herdeiros.

Liquidez

Além do prazo de cotização e liquidação, os fundos de previdência também têm um prazo de carência, normalmente de 60 dias. A informação exata consta no regulamento e nos documentos essenciais.

Benchmark

O índice de referência adotado pode ser o Ibovespa, IMA-B, CDI, dentre outros. Depende dos ativos que compõem a carteira do fundo.

Como funciona o investimento em fundos

Como vimos, o mercado de fundos de investimento é amplo. Há inúmeras estratégias, gestoras e maneiras de alocar seus recursos de maneira inteligente, sem precisar despender muito tempo ou horas de estudo.

Mas não basta escolher um nome aleatório e fazer um aporte às cegas. Para aproveitar ao máximo esse instrumento, vale a pena conhecer algumas das principais opções, ir atrás das rentabilidades, investigar as cabeças da gestão, comparar taxas e, por fim, selecionar fundos que façam sentido para o seu perfil.

Tudo começa com a reserva de emergência, que pode se beneficiar de um fundo como o Tropico Cash SF2, que tem baixíssima volatilidade, zero crédito de empresas e retorno superior a 110% do CDI. Há também fundos que aplicam apenas no Tesouro Direto, como aqueles que você encontra com taxa zero no BTG, na Órama, na Pi e em outras corretoras.

Depois da reserva de emergência, é o momento de estabelecer uma estratégia. Você já descobriu seu perfil de investidor? Já aplicou alguma quantia em renda variável? 

De qualquer forma, é com o foco no longo prazo que você deve analisar o seu portfólio. Uma possibilidade, nesse sentido, é dividir os fundos a investir em diferentes prazos. Para fundos de ações, por exemplo, você deve mirar janelas temporais superiores a cinco anos. Para fundos previdenciários, 10 anos. E para fundos multimercado, renda fixa, cambiais e de ouro, vai depender bastante da sua estratégia.

O importante é dar o primeiro passo, e este post talvez tenha sido a sua porta de entrada para o universo dos fundos de investimento. Nesse caso, convido você a dar uma voltinha pelo blog, conhecer outros posts, mandar suas dúvidas e assinar nossa newsletter.

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